Oi! Tudo bem? Espero que sim!

Trouxe pra você a indicação de um livro que mudou minha vida e que, certamente, pode mudar a sua. 

 

  • O livro

“Se você acredita que pode mudar — se faz disso um hábito —, a mudança se torna real. Este é o verdadeiro poder do hábito: a revelação de que seus hábitos são o que você escolhe que eles sejam.” 

 

DUHIGG, Charles. O poder do hábito : por que fazemos o que fazemos na vida e nos negócios. Tradução de Rafael Mantovani. – Rio de Janeiro: Objetiva, 2012. 477 p.

Charles Duhigg é autor de livros e artigos de revistas como o The New York Times, The New Yorker e The Atlantic. Foi repórter por mais de dez anos no New York Times.

O livro, baseado em estudos acadêmicos, entrevistas e pesquisas, possui sete capítulos e divide-se em três partes.

A primeira parte foca na formação dos hábitos sob uma perspectiva individual. Assim, explora a neurologia dos hábitos, os meios e métodos de formá-los e alterá-los.

Em sua segunda parte, Charles amplia seu estudo e examina hábitos de empresas e organizações de sucesso para, então, na terceira parte de seu livro, estudar os hábitos das sociedades.

Todos os capítulos possuem um argumento central, qual seja, o de que todo e qualquer hábito pode ser alterado se se compreender seu funcionamento.

Num prólogo inspirador, Charles Duhigg presenteia seu leitor com a história de Lisa Allen, participante de um dos estudos que apoiaram a obra. Lisa era uma jovem adulta de 34 anos que começou a beber e a fumar aos 16 anos.

Lutou contra a obesidade grande parte de sua vida.  Nunca passou mais de um ano no mesmo emprego. Na casa dos 20 anos, passou a ser perseguida por órgãos de cobrança tendo em vista sua dívida superior a 10 mil dólares.

Num dado momento, Lisa entrou num processo de divórcio: seu marido se apaixonou por outra.

“Deitada na cama, ela entrou em colapso. Senti um desespero, como se tivesse que mudar algo, tivesse que achar pelo menos uma coisa que eu fosse capaz de controlar. Ela precisava de um objetivo na vida, pensou. Algo pelo qual pudesse batalhar.”

Lisa tomou uma pequena decisão: ia parar de fumar e retornar ao Cairo em 01 ano.

Aquele pequena mudança na percepção de Lisa provocou uma série de transformações em sua vida.

Nos seis meses seguintes, Lisa substituiu o cigarro pela corrida e isso fez com que ela mudasse sua forma de comer, dormir, trabalhar, sua relação com o dinheiro, mudou sua organização, seus planos para o futuro, etc. 

Quase 4 anos depois, a Lisa sendo entrevistada era completamente diferente: 27 quilos mais magra, corredora, ex-fumante, sem problemas com bebida, mestre, dona de sua própria casa, sem dívidas e profissionalmente estável.

Para além de outras histórias narrada pelo autor, no primeiro capítulo do livro é explorada a formação dos hábitos dos indivíduos, que ocorre através de um loop de três estágios: deixa, rotina e recompensa.

A deixa corresponde ao estímulo que dá ao cérebro o comando de entrar em modo automático para utilizar determinado hábito.

A rotina, que pode ser física, emocional ou mental, corresponde ao comportamento em si.

Por fim, a recompensa, que indica ao cérebro se aquele loop vale a pena de ser memorizado ou não.

Conforme esse loop se consolida no cérebro, percebeu-se o surgimento de um senso de antecipação e desejo.

Assim, quando um hábito surge, o cérebro atua menos na tomada de decisão, desviando seu foco para outras tarefas.

A identificação deste loop também permitiu à comunidade científica provar que é possível aprender e fazer escolhas inconscientes sem, sequer, ter nenhuma lembrança relacionada à lição ou à tomada de decisão.

Essa descoberta colocou os hábitos, assim como a memória e a razão, na raiz do comportamento humano.

Os hábitos nunca desaparecem de fato, pois eles ficam codificados nas estruturas do nosso cérebro.

E, como ele não sabe distinguir os hábitos bons dos ruins, sempre que surge a deixa de um hábito ruim, ele aparece em sua vida novamente. 

A alternativa que resta, então, é criar uma nova rotina neurológica que seja mais poderosa que a anterior, colocando-a em segundo plano. É a que se destina o capítulo dois do livro.

Consoante o ensinamento do publicitário Claude Hopkins, um dos maiores na década de 1900, criar um hábito consistia em duas simples regras: encontrar uma deixa simples e óbvia; definir de forma clara a recompensa. Acrescido a isso, o cultivo de um anseio que movimente o loop.

Isso explica por que os hábitos são tão poderosos: eles criam anseios neurológicos.

Na maior parte das vezes, esses anseios surgem tão gradualmente que não estamos de fato cientes de que eles existem, e portanto muitas vezes não enxergamos sua influência.

Conforme associamos as deixas a certas recompensas, surge em nossos cérebros um anseio inconsciente que coloca o loop do hábito em movimento.

Ao longo do capítulo, Duhigg traz ensinamentos de dois pesquisadores da Universidade de Michigan que afirmam que hábitos especialmente fortes são capazes de gerar reações semelhantes às de vícios, evoluindo para um anseio obsessivo que pode levar o cérebro a entrar em piloto automático, mesmo diante de desincentivos, como a reprovação social e familiar. 

Felizmente, esses anseios não tem capacidade absoluta sobre nosso cérebro pois, como Charles demonstra no terceiro capítulo, existem mecanismos capazes de nos ajudar a ignorar as tentações, como a Regra de Ouro da mudança de hábito.

Estudos demonstraram que, se você usar a mesma deixa, fornecer a mesma recompensa e inserir uma nova rotina, é possível alterar o hábito.

Em outros casos, era necessário acrescentar a fé pois, como pesquisadores descobriram mais tarde, conforme as pessoas aprendem a acreditar em alguma coisa, essa habilidade começa a transbordar para outras partes de suas vidas, até que se sintam capazes de mudar. 

“A fé é essencial e cresce a partir de uma experiência comunitária” (pp. 135-136)

Inaugurando a segunda parte da obra, Charles Duhigg traz a ideia dos hábitos angulares para dar uma diretriz àquele que deseja mudar seus hábitos, agora que compreende sua formação.

Os hábitos angulares são capazes de promover uma reação em cadeia, mudando uma série de outros hábitos, como aconteceu com Lisa, lembra?

Eles se baseiam em identificar algumas prioridades centrais e transformá-las em alavancas.

Assim, se você deseja mudar, escolha os hábitos capazes reformular outros padrões.

Hábitos angulares proporcionam “pequenas vitórias”, que ajudam outros hábitos a prosperar, criando novas estruturas e estabelecendo culturas onde a mudança se torna contagiosa.

De acordo com um estudo, quando uma pequena vitória é conquistada, as forças que favorecem outra pequena vitória são postas em movimento, de modo que alimentam mudanças transformadoras, elevando vantagens diminutas a padrões que convencem pessoas de que conquistas maiores estão a seu alcance.

No quinto capítulo, Duhigg apresenta a força de vontade, o hábito angular mais importante dentre todos para o sucesso individual, segundo estudos.

Tal hábito se implementa da seguinte forma: escolhendo-se um certo comportamento de antemão e seguindo para uma rotina quando um ponto de inflexão surge. 

No capítulo seguinte, o autor mostra a relação entre hábitos e crises e como líderes criam hábitos através do acaso e da intenção.

Trazendo ensinamentos de dois pesquisadores, Charles Duhigg explica que as organizações possuem hábitos ou rotinas que são vitais para seu funcionamento, pois sem eles, as empresas jamais conseguiriam fazer trabalho algum.

“Hábitos organizacionais oferecem uma promessa básica: se
você seguir os padrões estabelecidos e respeitar a trégua, então as
rivalidades não vão destruir a empresa, os lucros vão entrar e, mais
cedo ou mais tarde, todo mundo vai ficar rico.” (p. 220)

No entanto, estes hábitos podem gerar crises, como a provocada pelo incêndio no Metrô londrino King Cross.

Crises como essa, são bem aproveitadas por líderes para substituir tréguas nocivas por hábitos institucionais saudáveis.

Encerrando a segunda parte, Duhigg demonstra como as empresas preveem e manipulam os hábitos de seus consumidores.

Isso se deve a constatação de uma consciência crescente sobre a influência dos hábitos em quase qualquer decisão de compra.

Para inaugurar a última parte da obra, sobre hábitos de sociedades, o autor inicia o capítulo relacionando os hábitos sociais com os movimentos sociais.

Sua importância decorre do fato de que, na raiz de muitos movimentos existe um processo em três estágios que, segundo sociólogos e historiadores, sempre surge.

O primeiro estágio é o do surgimento do movimento, decorrente dos hábitos sociais de amizade e aos laços fortes (relacionamentos em primeira mão) entre conhecidos próximos.

Há um instinto natural embutido na amizade, uma simpatia que nos torna dispostos a lutar por alguém de quem gostamos quando esse alguém é tratado injustamente.

Estudos mostram que as pessoas não têm dificuldade de ignorar ofensas feitas a estranhos, porém quando um amigo é insultado, nosso senso de revolta é suficiente para superar a inércia que geralmente dificulta a organização de protestos.

O segundo estágio é o do crescimento, que se deve aos hábitos de uma comunidade e aos laços fracos (conhecidos casuais) que unem vizinhanças e clãs.

Especial ênfase nos laços fracos, pois são eles que ajudam a espalhar os hábitos da pressão social, cuja autoridade decorre de expectativas comunitárias, ou seja, o cumprimento de certas obrigações sociais da vizinhança.

Por fim, um movimento dura (terceiro estágio) porque seus líderes conseguem dar aos participantes novos hábitos que criam um novo senso de identidade e de propriedade.

Para que uma ideia cresça para além de uma comunidade, ela deve ser autopropulsora.

E o jeito mais garantido de atingir isso é dar às pessoas novos hábitos que as ajudem a descobrir sozinhas aonde ir. 

Os movimentos não surgem porque todo mundo de repente decide olhar na mesma direção ao mesmo tempo.

Eles dependem de padrões sociais que começam com os hábitos de amizade, crescem através dos hábitos comunitários e são sustentados por novos hábitos que mudam a noção de identidade dos participantes.

Os comportamentos que ocorrem, sem pensar, entre dezenas, centenas ou milhares de pessoas, que muitas vezes são difíceis de enxergar quando surgem, mas contêm um poder capaz de mudar o mundo.

São os hábitos sociais que enchem as ruas de manifestantes que talvez não se conheçam, que talvez estejam marchando por motivos diferentes, mas que estão todos avançando na mesma direção.

É por causa dos hábitos sociais que algumas iniciativas se tornam movimentos que mudam o mundo, enquanto outras não conseguem vingar.

No último capítulo de seu livro, Charles Duhigg traz um importante questionamento: somos responsáveis por nossos hábitos?

Através dos relatos e dos estudos trazidos, o autor demonstra crer que sim, somos responsáveis por nossos hábito.

Essa responsabilidade advém do entendimento de que é possível transformá-lo, mas para tanto é necessário tomar esta decisão e tomar para si a difícil tarefa de identificar deixar e recompensas que impulsionam determinado hábito.

Por fim, Charles Duhigg nos presenteia com um guia para aplicarmos as ideias contidas no livro.

 

  • Como o livro me marcou

Quando li esse livro, estava caminhando para o auge de uma crise de ansiedade generalizada.

Já havia tentado fazer várias “revoluções” na minha vida, “colocar ordem” nela, “entrar na linha” e nada havia funcionado.

Lembro, claramente, de estar sentada à mesa com algumas pessoas durante um almoço, e de, num dado momento, lembrar que havia ouvido falar desse livro e pensei: “Por que não? O pior que pode acontecer é também não dar certo.”

Para minha surpresa, deu.

Confesso que não utilizei o guia, pois o achei muito detalhado e exigente para o meu momento, afinal foi meu perfeccionismo um dos motivos para que eu estivesse naquela situação.

Então, me agarrei à ideia de hábito angular.

A partir dali, meu compromisso diário seria arrumar a cama, mesmo que deitasse logo em seguida (o que raramente aconteceu).

Dois anos se passaram depois daquele dia e eu sou profundamente grata por ter tido a oportunidade de ler esse livro.

Arrumar a cama foi o primeiro passo para que eu pudesse assumir o controle da minha ansiedade e chegar até aqui. Desde então, me tornei mais observadora, mais perseverante, mais confiante.

Claro que ainda tem muito caminho pela frente, mas já caminhei bastante.

Espero que você se dê a oportunidade de dar uma guinada em sua vida. Não é nem um pouco fácil, mas é imensamente recompensador.

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