Conheça a linha terapêutica que me permitiu reencontrar a qualidade de vida.

Não tem coisa mais desagradável do que não conseguir controlar nossos pensamentos, não é?

Saber que uma preocupação não tem razão de ser e, mesmo assim, não parar de pensar nela.

Eu também passo por isso, mas a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) tem me ajudado demais e gostaria que você tivesse a oportunidade de conhecer essa linha terapêutica também.

Ao longo dos textos publicados aqui no blog, você vai perceber que as estratégias da Terapia Cognitivo-Comportamental são simples, diretas e claras e você vai perceber que você pratica algumas delas sem se dar conta.

  1. O que é Terapia Cognitivo-Comportamental?

A Terapia Cognitivo-Comportamental é uma forma de terapia (uma linha terapêutica) que foi desenvolvida pelo, na época, professor assistente de psiquiatria Aaron Beck.

Consiste num tratamento estruturado de curta duração (em torno de 06 a 14 sessões), com foco no presente, direcionado à solução de problemas atuais e à modificação de pensamentos e comportamentos disfuncionais (inadequados ou inúteis).

Tudo o que se passa na sua mente – como sonhos, lembranças, imagens, pensamentos, atenção – servem para que você atribua  significado às coisas ao seu redor.

Essa significação (cognição) interfere diretamente em seu comportamento. O comportamento é tudo aquilo que você faz (ou não faz): é a forma como você lida com seus problemas, a forma como você age, como evita certas situações.

O tratamento tem como base uma conceituação (compreensão) do paciente: crenças específicas e padrões de comportamento. Esse modelo propõe que o pensamento disfuncional (que influencia o humor e o pensamento do paciente,fazendo com que ele procrastine, por exemplo) é comum a todos os transtornos psicológicos.

De uma forma mais simples, pode-se dizer que a Terapia Cognitivo-Comportamental está centrada no fato de você pode ter mais qualidade de vida se pensar de forma saudável.

Partindo dessa premissa, o terapeuta trabalha para produzir mudanças cognitivas no paciente a fim de alcançar uma mudança emocional e comportamental duradouras.

Uma vez, minha psicóloga me disse que o “fato é neutro”. E ela tem razão.

A TCC vai te encorajar a entender que seus pensamentos e suas crenças estão entre o evento ocorrido e suas ações. Seus pensamentos, crenças e os significados que você dá a um evento produzem suas respostas emocionais e comportamentais.

Quando você aprende a avaliar seu pensamento de forma mais realista e adaptativa, você obtêm uma melhora em seu estado emocional e no comportamento. Dessa forma, alguém que tem o hábito de procrastinar conseguiria substituir a procrastinação por um hábito mais positivo.

Encarar a sua experiência a partir dessa nova perspectiva, provavelmente, te ajudará a se sentir melhor e te levará a um comportamento mais funcional.

Os componentes importantes da psicoterapia cognitivo-comportamental para depressão incluem foco na ajuda aos pacientes para solucionarem problemas, tornarem-se comportamentalmente ativados e identificarem, avaliarem e responderem ao pensamento depressivo, especialmente pensamentos negativos sobre si mesmos, seu mundo e seu futuro.

Para que haja melhora duradoura no humor e no comportamento do paciente, os terapeutas cognitivos trabalham em um nível mais profundo de cognição: as crenças básicas do paciente sobre si mesmo, seu mundo e as outras pessoas.

Uma das metas da Terapia Cognitivo-Comportamental é desenvolver a flexibilidade destas crenças, sem recorrer a extremos, e auxiliar na adaptação da realidade destes indivíduos.

2. História da Terapia Cognitivo-Comportamental

No fim da década de 1950 e início da década de 1960, Aaron Beck decidiu testar um conceito da psicanálise que dizia que a depressão era resultante da hostilidade voltada contra si mesmo. Assim, Beck passou a investigar os sonhos dos seus pacientes deprimidos acreditando que encontraria temas relacionados à hostilidade.

Qual não foi sua surpresa ao perceber que esses pacientes tinham sonhos muito mais relacionados ao fracasso, à privação e à perda? E mais: ele percebeu que estes temas também se relacionavam com os pensamentos desses pacientes quando eles estavam acordados!

Ou seja, começou a ruir a ideia psicanalítica de que os pacientes que tem depressão tem necessidade de sofrer. Imagine o nó na cabeça de Beck, já que ele era psicanalista!

Nas décadas seguintes, entre 1960 e 1970, Aaron se dedicou aos seus experimentos e identificou a presença de cognições (percepções) negativas e distorcidas, principalmente, pensamentos e crenças como característica primária da depressão.

Beck percebeu que seus pacientes possuíam pensamentos “automáticos” negativos e que estes pensamentos estavam diretamente relacionados às emoções deles. Foi, então, que ele começou a ensinar para esses pacientes como identificar, avaliar e responder a essas distorções.E, todos viveram felizes para sempre.

Inicialmente, essa abordagem terapêutica chamava-se Terapia Cognitiva, mas  com o tempo, passou a ser chamada pelo nome que é conhecida hoje: Terapia Cognitivo-Comportamental ou, carinhosamente, TCC.

3. Principais Características da Terapia Cognitiva-Comportamental

  • Enfatiza os diversos significados que você dá aos episódios e como você responde a eles;
  • Foi desenvolvida através de uma extensa avaliação científica;
  • Está mais focada nos problemas que estão sendo mantidos do que na mera procura pela raiz de cada um desses problemas;
  • Oferece conselhos e ferramentas práticas para superar problemas emocionais comuns;
  • Acredita na possibilidade de mudança e de desenvolvimento através da reflexão acerca dos acontecimentos e da tentativa de implantar novas ideias e pensamentos;
  • Pode explorar o passado para te ajudar a compreender e mudar a forma como você está pensando e agindo no presente;
  • Mostra que algumas das estratégias que você utiliza para lidar com seus problemas emocionais estão, na verdade, mantendo esses problemas;
  • Tenta normalizar suas emoções, sensações físicas e pensamentos mais do que te  convencer de que eles são pistas para os seus problemas “ocultos”;
  • Reconhece que você pode desenvolver problemas emocionais derivados de outros problemas emocionais, como, por exemplo, sentir vergonha por estar em depressão;
  • Destaca técnicas de aprendizado e maximiza a autoajuda de forma que você tenha condições de se tornar seu próprio terapeuta.

4. Terapia Cognitiva-Comportamental e Ansiedade

No fim da década de 1970, Dr. Beck e seus colegas de pós-doutorado na University of Pennsylvania começaram a estudar a ansiedade e descobriram que era necessário um foco um pouco diferente.

Se você tem ansiedade (ou convive com alguém que tenha), já deve ter percebido que pessoas ansiosas têm a necessidade de avaliar melhor o risco das situações que temem, levar em consideração seus recursos internos e externos, além de melhorar tais recursos.

Beck e seus colegas perceberam, ainda, que as pessoas ansiosas precisavam reduzir a evitação e enfrentar as situações que temiam para que pudessem testar comportamentalmente as suas predições negativas.

Assim, há mais de 40 anos, o modelo cognitivo da ansiedade tem sido aperfeiçoado para cada um dos vários transtornos de ansiedade. A validade desses modelos foi confirmada pela psicologia cognitiva e pelos estudos científicos.

5. Provas de que a Terapia Cognitivo-Comportamental funciona

Desde que Beck elaborou essa abordagem terapêutica, são realizados diversos estudos para comprovar  sua eficácia. Tanto que, atualmente, a TCC é a abordagem psicoterápica mais pesquisada.

Diversos estudos apontam que a TCC é mais eficaz que somente o uso de medicação para os tratamentos da ansiedade e da depressão. Quando eu recebi o diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Generalizada, fui orientada a realizar terapia cognitivo-comportamental.

Cada vez mais métodos de tratamento de curta duração têm sido desenvolvidos para ajudar as pessoas com transtornos como o de pânico, o de ansiedade no convívio social ou ansiedade generalizada.

Outra coisa legal que as pesquisas demonstram é qual é o melhor aspecto da Terapia Cognitivo-Comportamental e qual é a melhor intervenção para cada tipo de problema.

Por exemplo, o tratamento de pessoas que tem transtorno de pânico vai incluir o teste das falsas interpretações catastróficas, de sensações corporais ou mentais como predições equivocadas de ameaça à vida ou à sanidade.

Pessoas que lidam com o abuso de substância tem o tratamento focado nas crenças que justificam esse abuso, enquanto que pessoas anoréxicas trabalham com a modificação de crenças sobre seu valor pessoal e controle.

Um fator de sucesso para abordagem da Terapia Cognitivo-Comportamental é o fato de que as pessoas submetidas a essa linha de tratamento permanecem bem por mais tempo, em especial aquelas pessoas que sofrem de ansiedade e depressão.

Mais e mais médicos e psiquiatras têm indicado a TCC a seus pacientes no intuito de ajudá-los a superar seus problemas com resultados positivos. Esses problemas incluem:

6. Para todos os gostos e para todos os bolsos

Se tem uma coisa que eu acho linda na Terapia Cognitivo-Comportamental, é sua adaptabilidade a pacientes com os mais diferentes níveis de educação e renda, das mais diferentes culturas e idades.

Além disso, é uma abordagem terapêutica que funciona de forma individual, em grupo, em casal e em família.

Tem versatilidade maior?

Eu amo a Terapia Cognitivo-Comportamental!!

7. Outras terapias cognitivo-comportamentais

Existem muitas formas de terapia cognitivo-comportamental que compartilham características da terapia de Beck, mas cujas conceitualizações e ênfases no tratamento variam até certo ponto.

Entretanto, todas elas têm como base uma formulação cognitiva, as crenças e as estratégias comportamentais que caracterizam um determinado transtorno. Veja alguns exemplos:

  • terapia racional-emotiva comportamental;
  • terapia comportamental dialética;
  • terapia de solução de problemas;
  • terapia de aceitação e compromisso;
  • terapia de exposição;
  • terapia de processamento cognitivo;
  • sistema de psicoterapia de análise cognitivo-comportamental;
  • ativação comportamental;
  • modificação cognitivo-comportamental;
  • outras.

8. Onde podemos usar a Terapia Cognitivo-Comportamental?

Acredite que, embora seja uma linha de terapia, a TCC tem sido utilizada para cuidados primários, em escolas, programas vocacionais, em prisões e em muitos outros contextos.

Pode ser feita em grupo, em casal e em família.

9. O que esperar de um terapeuta cognitivo-comportamental

  • Ajuda para definir seus problemas e que o profissional pergunte sobre seus objetivos e expectativas na terapia;
  • Explicação breve sobre a TCC em sua primeira consulta e o convite à realização de perguntas;
  • Uso de escalas e medidas, como um inventário de depressão (por exemplo, para pacientes com transtorno depressivo), para monitorar seu progresso;
  • Avalição seus problemas baseando-se no modelo da TCC e explicação do processo de forma que você possa fazê-lo sozinho no futuro;
  • Perguntas para esclarecer seus pensamentos e ajudá-lo a avaliá-los;
  • Comportamento ativo nas sessões, instruindo você sobre a TCC e sua perspectiva sobre seus problemas, levantando questões, anotando dados e fazendo sugestões de forma a tentar remediar seus problemas;
  • Desenvolvimento em conjunto com você de exercícios terapêuticos para fazer em casa, entre uma sessão e outra;
  • Revisão dos seus exercícios caseiros. Se você não os realizou, o terapeuta pode discutir os obstáculos que lhe impediram de fazê-los;
  • Revisão regular do seu progresso e dos seus objetivos;
  • Incentivo às respostas em relação à terapia de forma geral, e escuta aberta a qualquer crítica construtiva que você fizer;
  • Incentivo para que você verbalize suas dúvidas, reservas e medos que tenha sobre aspectos de sua terapia;
  • Desafio às suas crenças e comportamentos e ajuda para que você faça o mesmo por conta própria;
  • Encorajamento para que você seja independente e a tenha responsabilidade pessoal pela sua saúde mental;
  • Respostas à maioria de suas questões ou uma justificativa sobre o porquê, caso não possam ou não queiram responder outras;
  • Encaminhamento para outro profissional, se você necessitar ajuda adicional ou alternativa;
  • Supervisão clínica regular (na qual eles têm seu trabalho avaliado ou discutem sobre ele com outros terapeutas) para melhorar sua prática. Não tenha receio de perguntar sobre isso: é importante!

Bem, eu fico feliz em te apresentar esta linha terapêutica que mudou minha vida para muito melhor!

Aqui no blog, você irá encontrar muita informação a respeito da Terapia Cognitivo-Comportamental e também compartilharei exercícios disponibilizados em livros que tenho encontrado.

É só questão de eu experimentar e fazer o artigo, ok? Gosto de ter esse cuidado, afinal o objetivo é te ajudar a levar uma vida com mais qualidade e, assim, com mais propósito.

REFERÊNCIAS

BECK, Judith S. Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática [recurso eletrônico]. Traduzido por: Sandra Mallmann da Rosa. Revisão técnica: Paulo Knapp, Elisabeth Meyer. 2.ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. e-PUB

WILSON, Rob. BRANCH, Rhena. Terapia cognitivo-comportamental para leigos. Traduzido por Lia Gabriele. Rio de Janeiro: Alta Books, 2011. 340 p.

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